A Comissão
Especial do Desenvolvimento Nacional (CEDN) concluiu nesta terça-feira (16), em
turno suplementar, votação favorável ao Projeto de Lei do Senado (PLS)186/2014, que regulamenta a exploração dos
jogos de azar. A proposta autoriza o funcionamento no país de cassinos e
bingos, além de legalizar jogos eletrônicos e o jogo do bicho.
O texto
aprovado foi o substitutivo proposto pelo relator, senador Blairo Maggi
(PR-MT). O projeto, que faz parte da Agenda Brasil, recebeu decisão terminativa
e por isso segue agora diretamente para análise na Câmara dos Deputados, a
menos que haja recurso — endossado por pelo menos nove senadores — para que a
decisão final seja em Plenário.
A pauta
da Agenda Brasil foi articulada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, com
os líderes partidários para incentivar a retomada do crescimento econômico do
país. Na Câmara já atua uma comissão especial que também examina proposta de
legalização dos jogos de azar.
Seguridade
Segundo o
autor do projeto, senador Ciro Nogueira (PP-PI), o Brasil deixa de arrecadar em
torno de R$ 15 bilhões anuais por causa da falta de regulamentação dos jogos de
azar. No texto agora aprovado, ele definiu os tipos de jogos que podem ser
explorados, os critérios para autorização e regras para distribuição de prêmios
e arrecadação de tributos — destinados à seguridade social.
Na visão
do autor, "é no mínimo incoerente dar um tratamento diferenciado para o
jogo do bicho e, ao mesmo tempo, permitir e regulamentar as modalidades de
loteria federal hoje existentes". De acordo com Ciro, para cada um real
hoje gasto com jogos legais, dois são aplicados em outros mantidos na
ilegalidade.
— O país
está enfrentando uma situação que vinha sendo colocada debaixo do tapete. A
gente não poderia continuar fingindo que não existe o jogo clandestino, sem que
a sociedade tenha o menor benefício quanto a isso — afirmou.
Políticos
Blairo
acatou emenda do senador Benedito de Lira (PP-AL) que restringe a autorização
para explorar jogos às pessoas jurídicas que comprovem regularidade fiscal.
Outra emenda acolhida, do senador Otto Alencar (PSD-BA), que preside a comissão
especial, veda aos políticos com mandatos a exploração de jogos de azar.
—
Particularmente, acho que o político é igual a todo mundo. Mas, para resguardar
e dar mais transparência, acatamos essa sugestão — afirmou Blairo na votação da
semana passada.
Para
Otto, o projeto atende ao que pensa a maioria da população sobre os jogos. Ao
justificar seu apoio, ele citou o colega Antonio Anastasia (PSDB-MG), que
apontou, na reunião passada, o funcionamento dos jogos, de modo legal, em
países com alto padrão de desenvolvimento.
— Se dá
certo no Canadá, nos Estados Unidos, Alemanha e França, por que não pode dar
certo no Brasil? — questionou.
Polêmica
A
aprovação do projeto, no entanto, não contou com apoio unânime. Na semana
passada, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) se posicionou de modo contrário
dizendo que o jogo “concentra renda”, ao tirar dinheiro de muitos em favor de
apenas um ganhador”. Para o senador, práticas ilícitas envolvendo drogas e
prostituição podem ser estimuladas com a regularização do jogo.
A
senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) se absteve da votação, apontando que tinha
“muitas dúvidas” sobre o projeto. Ela disse que não se tratava de uma questão
partidária ou de governo, mas opinou que o projeto deveria ser discutido de
forma mais profunda.
—
Geralmente, a questão do jogo incentiva outras atividades que podem causar
impactos negativos na sociedade — afirmou.
Apesar
dos questionamentos, o projeto foi aprovado na quarta-feira passada por 8 votos
a favor e 2 contrários, além de uma abstenção. No turno suplementar, o objetivo
era apenas apreciar novas emendas ao texto, exigência para projetos
terminativos aprovados em comissões na forma de substitutivo. Porém, nenhuma
emenda foi apresentada ao longo da última semana.
Regiões
O senador
Flexa Ribeiro (PSDB-PA) chegou a sugerir que os cassinos fossem autorizados
somente nas regiões menos desenvolvidas e fora das capitais. Assim, por
exemplo, eles não poderiam ser instalados nas Regiões Sul e Sudeste. A emenda
foi rejeitada pelo relator. Depois, ao ser votada em destaque por toda a
comissão, foi vencida novamente.
Blairo
Maggi afirmou, em seu relatório, que “é desejável a iniciativa de se
regulamentar o jogo de azar no Brasil”. Ele admite que a atividade tem sido
exercida, ainda que de modo ilegal. Para o relator, a ilegalidade acaba
desencadeando outro efeito perverso: os recursos obtidos com a exploração do
jogo servem para a corrupção de agentes públicos.
Com a
regulamentação, ele acredita que será possível “extirpar” o problema da
corrupção que hoje existe e, ao mesmo tempo, assegurar aumento expressivo das
receitas públicas”, sem que isso importe em incremento da carga tributária dos
demais contribuintes.

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